Radio Católica On-line

Homens a Luz de Deus.

Aleluia! Tu é abênçoado, e a sua Graça ja estar sendo preparada por Jesus, chegará em uma boa hora, pois ele conhece o teu coração e seus problemas, ele sofre com vc, ele se alegra com vc, mais aquele seu desejo, será agora atendido, espere que um anjo trará sua Graça, apenas agradeça ao Senhor e assim que receber, fale em seu pensamento. AMEM !

2010/09/25

NOTA DA CNBB SOBRE AS ELEIÇÕES NO BRASIL

BRASÍLIA, sexta-feira, 17 de setembro de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos a nota difundida pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) nessa quinta-feira, a respeito das Eleições 2010 no país.
* * *

Constantes interpelações têm chegado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB a respeito de seu posicionamento em relação às eleições do próximo dia 3 de outubro.
Falam em nome da CNBB somente a Assembleia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência. O único pronunciamento oficial da CNBB sobre as eleições/2010 é a Declaração sobre o Momento Político Nacional, aprovada pela 48ª Assembleia Geral da CNBB, deste ano, cujo conteúdo permanece como orientação neste momento de expressão do exercício da cidadania em nosso País.
Nessa Declaração, a CNBB, em consonância com sua missão histórica, mantém a tradição de apresentar princípios éticos, morais e cristãos fundamentais para ajudar os eleitores no discernimento do seu voto visando à consolidação da democracia entre nós.
Reafirmamos, portanto, o que diz a Declaração: “A campanha eleitoral é oportunidade para empenho de todos na reflexão sobre o que precisa ser levado adiante com responsabilidade e o que deve ser modificado, em vista de um Projeto Nacional com participação popular.
Por isso, incentivamos a que todos participem e expressem, através do voto ético, esclarecido e consciente, a sua cidadania nas próximas eleições, superando possíveis desencantos com a política, procurando eleger pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana. Em particular, encorajamos os leigos e as leigas da nossa Igreja a que assumam ativamente seu papel de cidadãos colaborando na construção de um País melhor para todos.
Confiando na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, invocamos as bênçãos de Deus para todo o Povo Brasileiro”.
Brasília, 16 de setembro de 2010
Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana – MG
Presidente da CNBB
Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB
Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

HOMILIA NA BEATIFICAÇÃO DE JOHN HENRY NEWM

“O coração fala ao coração”

BIRMINGHAM, domingo, 19 de setembro de 2010 (ZENIT.org) - Apresentamos, a seguir, a homilia que Bento XVI pronunciou hoje, ao presidir, no Wimblendon Park de Birmingham, a Celebração Eucarística de beatificação de John Henry Newman (1801-1890), cardeal e fundador dos oratórios de São Felipe Néri, na Inglaterra.
* * *
Queridos irmãos e irmãs em Cristo:
Estamos aqui em Birmingham em um dia realmente feliz. Em primeiro lugar, porque é o dia do Senhor, o domingo, dia em que o Senhor Jesus Cristo ressuscitou dos mortos e transformou para sempre o curso da história humana, oferecendo vida e esperança a todos os que vivem na escuridão e nas sombras da morte. É a razão pela qual os cristãos do mundo inteiro se reúnem neste dia para louvar e dar graças a Deus pelas maravilhas que Ele fez por nós. Este domingo, em particular, representa também um momento significativo na vida da nação britânica, ao ser o dia escolhido para comemorar o 70º aniversário da Batalha da Inglaterra. Para mim, que estive entre os que viveram e sofreram os escuros dias do regime nazista na Alemanha, é profundamente comovente estar conosco nesta ocasião e poder recordar a tantos concidadãos vossos que sacrificaram suas vidas, resistindo com garra às forças desta ideologia demoníaca. Penso em particular na vizinha Coventry, que sofreu duríssimos bombardeios, com numerosas vítimas, em novembro de 1940. Setenta anos depois, recordamos com vergonha e horror o espantoso preço da morte e destruição que a guerra traz consigo; e renovamos nossa determinação de trabalhar pela paz e pela reconciliação, onde quer que ameace um conflito. Mas existe outra razão, mais alegre, pela qual este dia é especial para a Grã-Bretanha, para o centro da Inglaterra, para Birmingham. Este é o dia em que formalmente o cardeal John Henry Newman foi elevado aos altares e declarado beato.
Agradeço ao arcebispo Bernard Longley por seu cordial acolhimento ao começar a Missa nesta manhã. Agradeço a todos os que trabalharam tão duramente durante tantos anos na promoção da causa do cardeal Newman, incluindo os padres do Oratório de Birmingham e os membros da Família Espiritual Das Werk. E saúdo todos vós, que viestes de diferentes lugares da Grã-Bretanha, Irlanda e outros pontos mais distantes; obrigado pela vossa presença nesta celebração, na qual louvamos e damos glória a Deus pelas virtudes heroicas deste santo inglês.
A Inglaterra tem uma longa tradição de santos mártires, cujo valente testemunho sustentou e inspirou a comunidade católica local durante séculos. É justo e conveniente reconhecer hoje a santidade de um confessor, um filho desta nação que, ainda que não tenha sido chamado a derramar o sangue pelo Senhor, jamais se cansou de dar um testemunho eloquente d'Ele ao longo de uma vida entregue ao ministério sacerdotal, especialmente a pregar, lecionar e escrever. É digno de fazer parte da longa fila de santos e eruditos destas ilhas: São Beda, Santa Hilda, São Aelred, o beato Duns Scot, por nomear apenas alguns. No beato John Newman, esta tradição de delicada erudição, profunda sabedoria humana e amor intenso pelo Senhor deu grandes frutos, como sinal da presença constante do Espírito Santo no coração do povo de Deus, suscitando copiosos dons de santidade.
O lema do cardeal Newman, cor ad cor loquitur, "o coração fala ao coração", oferece-nos a perspectiva da sua compreensão da vida cristã como um chamado à santidade, experimentada como o desejo profundo do coração humano de entrar em comunhão íntima com o coração de Deus. Recorda-nos que a fidelidade à oração vai nos transformando gradualmente em semelhança de Deus. Como escreveu em um dos seus muitos e belos sermões, "o hábito da oração, a prática de buscar Deus e o mundo invisível em cada momento, em cada lugar, em cada emergência... digo-vos que a oração tem o que se pode chamar de efeito natural na alma, espiritualizando-a e elevando-a. Um homem já não é o que era antes; gradualmente (...) se vê imbuído de uma série de ideias novas e se vê impregnado de princípios diferentes" (Sermões Paroquiais e Comuns, IV, 230-231). O Evangelho de hoje afirma que ninguém pode servir a dois senhores (cf. Lc 16, 13), e o Beato John Henry, em seus ensinamentos sobre a oração, esclarece como o fiel cristão toma partido por servir seu único e verdadeiro Mestre, que pede só para si nossa devoção incondicional (cf. Mt 23, 10). Newman nos ajuda a entender em que consiste isso para a nossa vida cotidiana: ele nos diz que nosso divino Mestre confiou uma tarefa específica a cada um de nós, um "serviço concreto", confiado de maneira única a cada pessoa concreta: "Tenho minha missão - escreve -, sou um elo na corrente, um vínculo de união entre pessoas. Ele não me criou para o nada. Farei o bem, farei seu trabalho; serei um anjo de paz, um pregador da verdade no lugar que me é próprio. (...) Se o fizer, eu me manterei em seus mandamentos e O servirei nas minhas tarefas" (Meditação e Devoção, 301-2).
O serviço concreto ao qual o beato John Henry foi chamado incluía a aplicação entusiasta da sua inteligência e sua prolífica caneta a muitas das mais urgentes "questões do dia". Suas intuições sobre a relação entre fé e razão, sobre o lugar vital da religião revelada na sociedade civilizada e sobre a necessidade de uma educação esmerada e ampla foram de grande importância, não somente para a Inglaterra vitoriana. Hoje também continuam inspirando e iluminando muitos no mundo inteiro. Eu gostaria de prestar uma homenagem especial à sua visão da educação, que fez tanto por formar o ethos, que é a força motriz das escolas e faculdades católicas atuais. Firmemente contrário a qualquer enfoque reducionista ou utilitarista, buscou condições educativas nas quais pudesse se unificar o esforço intelectual, a disciplina moral e o compromisso religioso. O projeto de fundar uma universidade católica na Irlanda lhe ofereceu a oportunidade de desenvolver suas ideias a respeito disso; e a coleção de discursos que publicou, com o título "A ideia de uma universidade" sustenta um ideal mediante o qual todos os que estão envolvidos na formação acadêmica podem continuar aprendendo. Mais ainda, que melhor meta podem ter os professores de religião que o famoso convite do beato John Henry sobre leigos inteligentes e bem formados? "Quero um laicado que não seja arrogante nem imprudente na hora de falar, nem alvorotado, mas homens que conheçam bem sua religião, que aprofundem nela, que saibam bem onde estão, que saibam o que têm e o que não têm; que conheçam seu credo a tal ponto, que possam prestar contas dele; que conheçam tão bem a história, que possam defendê-la" (A Posição Atual dos Católicos na Inglaterra, IX, 390). Hoje, quando o autor destas palavras foi elevado aos altares, peço que, por meio da sua intercessão e exemplo, todos os que trabalham no campo da educação e da catequese se inspirem com maior ardor na visão tão clara que ele nos deixou.
Ainda que a extensa produção literária sobre sua vida e obras prestou compreensivelmente maior atenção ao legado intelectual de John Henry Newman, nesta ocasião prefiro concluir com uma breve reflexão sobre sua vida sacerdotal, como pastor de almas. Sua visão do ministério pastoral sob o prisma do afeto e da humanidade está expresso de maneira maravilhosa em outro dos seus famosos sermões: "Se vossos sacerdotes fossem anjos, meus irmãos, eles não poderiam compartilhar convosco a dor, sintonizar convosco, não poderiam ter compaixão de vós, sentir ternura por vós e ser indulgentes convosco, como nós podemos; eles não poderiam ser nem modelos nem guias, e não teriam te levado do teu homem velho à vida nova, como eles, que vêm do nosso meio" (Homens, não anjos: os sacerdotes do Evangelho: discursos às congregações mistas, 3). Ele viveu profundamente esta visão tão humana do ministério sacerdotal, em seus desvelos pastorais pelo povo de Birmingham, durante os anos dedicados ao Oratório que ele mesmo fundou, visitando os doentes e os pobres, consolando os tristes ou atendendo os presos. Não é de surpreender que, ao morrer, milhares de pessoas se aglomeravam nas ruas enquanto seu corpo era transladado ao lugar da sua sepultura, a não mais que meia milha daqui; 120 anos depois, uma grande multidão se reuniu novamente para celebrar o reconhecimento eclesial solene da excepcional santidade deste pai de almas tão amado. Que melhor maneira de expressar nossa alegria deste momento que dirigindo-nos ao nosso Pai do céu com gratidão sincera, rezando com as mesmas palavras que o beato John Henry Newman colocou nos lábios do coro celestial dos anjos?
Praise to the Holiest in the height
And in the depth be praise;
In all his words most wonderful,
Most sure in all his ways!
("Seja louvado o Santíssimo no céu,
seja louvado no abismo;
em todas as suas palavras, o mais maravilhoso,
o mais seguro em todos os seus caminhos")

("O sonho de Gerontius")
[Tradução: Aline Banchieri.
© Libreria Editrice Vaticana]

CATEQUESE DO PAPA: “FALEI AO CORAÇÃO DE TODOS OS INGLESES”

Intervenção na audiência geral de hoje

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 22 de setembro de 2010 (ZENIT.org) - Apresentamos, a seguir, a intervenção do Papa Bento XVI durante a audiência geral, realizada na Praça de São Pedro, com os milhares de peregrinos procedentes do mundo inteiro.
* * *
Queridos irmãos e irmãs:
Hoje, eu gostaria de falar da viagem apostólica ao Reino Unido, que Deus me concedeu realizar na semana passada. Foi uma visita oficial e, ao mesmo tempo, uma peregrinação ao coração da história e do hoje de um povo rico de cultura e de fé, como o caso do britânico. Foi um acontecimento histórico, que marcou uma nova fase importante na longa e complexa história das relações entre essas populações e a Santa Sé. O principal objetivo da visita era proclamar beato o cardeal John Henry Newman, um dos maiores ingleses da sua época, insigne teólogo e homem de Igreja. De fato, a cerimônia de beatificação representou o principal momento da viagem apostólica, cujo tema estava inspirado no lema do cardeal Newman: "O coração fala ao coração". E nos quatro intensos e belíssimos dias transcorridos nesta nobre terra, tive a grande alegria de falar ao coração dos habitantes do Reino Unido, e eles falaram ao meu, especialmente com sua presença e com o testemunho da sua fé. Pude, de fato, constatar como a herança cristã ainda é forte e inclusive ativa em todos os estratos da vida social. O coração dos britânicos e sua existência estão abertos à realidade de Deus e há numerosas expressões de religiosidade que esta minha visita evidenciou ainda mais.
Desde o primeiro dia da minha permanência no Reino Unido - e durante todo o período da minha estadia -, recebi em todos os lugares um caloroso acolhimento por parte das autoridades, dos representantes das diversas realidades sociais, dos representantes das diferentes confissões religiosas e especialmente das pessoas comuns. Penso particularmente nos fiéis da comunidade católica e em seus pastores que, ainda sendo minoria no país, são muito estimados e considerados, comprometidos no anúncio alegre de Jesus Cristo, fazendo o Senhor resplandecer e tornando-se sua voz, especialmente entre os últimos. A todos renovo a expressão da minha profunda gratidão, pelo entusiasmo demonstrado e pela excelente diligência com que trabalharam pelo êxito desta visita minha, cuja lembrança conservarei para sempre no coração.
O primeiro encontro foi em Edimburgo, com Sua Majestade a rainha Elizabeth II, que, juntamente com seu consorte, o Duque de Edimburgo, acolheu-me com grande afeto em nome de todo o povo britânico. Foi um encontro muito cordial, caracterizado pela partilha de algumas profundas preocupações referentes ao bem-estar dos povos do mundo e pelo papel dos valores cristãos na sociedade. Na histórica capital da Escócia, pude admirar as belezas artísticas, testemunho de uma rica tradição e de profundas raízes cristãs. Fiz referência a isso no discurso a Sua Majestade e às autoridades presentes, recordando que a mensagem cristã se converteu em parte integrante da língua, do pensamento e da cultura dos povos destas ilhas. Falei também do papel que a Grã-Bretanha teve e continua tendo no panorama internacional, mencionando a importância dos passos levados a cabo para uma pacificação justa e duradoura na Irlanda do Norte.
A atmosfera de festa e de alegria criada pelos jovens e crianças alegrou a etapa de Edimburgo. Ao chegar depois a Glasgow, cidade embelezada por encantadores parques, presidi a primeira Santa Missa da viagem, precisamente no Bellahouston Park. Foi um momento de intensa espiritualidade, muito importante para os católicos do país, também considerando o fato de que naquele dia se celebrava a festa litúrgica de São Ninian, primeiro evangelizador da Escócia. Nessa assembleia litúrgica reunida em oração atenta e compartilhada, que ficou ainda mais solene pelas melodias tradicionais e cantos, recordei a importância da evangelização da cultura, especialmente em nossa época, na qual um relativismo penetrante ameaça escurecer a imutável verdade sobre a natureza do homem.
No segundo dia, comecei a visita a Londres. Lá encontrei, em primeiro lugar, o mundo da educação católica, que tem um papel relevante no sistema de instrução desse país. Em um autêntico clima de família, falei aos educadores, recordando a importância da fé na formação de cidadãos maduros e responsáveis. Aos numerosos adolescentes e jovens, que me acolheram com alegria e entusiasmo, propus que não buscassem objetivos limitados, contentando-se com escolhas cômodas, mas que procurassem algo maior, isto é, a busca da verdadeira felicidade que se encontra somente em Deus. No seguinte encontro, com os responsáveis das demais religiões majoritariamente presentes no Reino Unido, recordei a ineludível necessidade de um diálogo sincero, que precisa do respeito ao princípio de reciprocidade para que seja plenamente frutífero. Ao mesmo tempo, evidenciei a busca do sagrado como campo comum a todas as religiões, sobre o qual é preciso reforçar a amizade, a confiança e a colaboração.
A visita fraterna ao arcebispo da Cantuária foi a oportunidade para reafirmar o compromisso comum de dar testemunho da mensagem cristã que une católicos e anglicanos. Foi seguido por um dos momentos mais significativos da viagem apostólica: o encontro, na grande sala do Parlamento britânico, com personalidades institucionais, políticas, diplomáticas, acadêmicas, religiosas, representantes do mundo cultural e empresarial. Nesse lugar tão prestigioso, sublinhei que a religião, para os legisladores, não deve representar um problema a ser resolvido, mas um fator que contribui de forma vital para o caminho histórico e para o debate público da nação, em particular ao recordar a importância essencial do fundamento ético para as decisões nos diversos setores da vida social.
Nesse mesmo clima solene, dirigi-me depois à abadia de Westminster: pela primeira vez, um sucessor de Pedro estava no lugar de culto símbolo das antiquíssimas raízes cristãs do país. A recitação da oração das Vésperas, junto às diversas comunidades cristãs do Reino Unido, representou um momento importante nas relações entre a comunidade católica e a Comunhão Anglicana. Quando veneramos juntos o túmulo de São Eduardo o Confessor, enquanto o coral cantava Congregavit nos in unum Christi amor, todos nós louvamos Deus, que nos conduz no caminho rumo à unidade plena.
Na manhã do sábado, o encontro com o primeiro-ministro abriu a série de encontros com os maiores representantes do mundo político britânico. Foi seguida da Celebração Eucarística na catedral de Westminster, dedicada ao Preciosíssimo Sangue do Nosso Senhor. Foi um extraordinário momento de fé e de oração - que evidenciou a rica e belíssima tradição de música litúrgica "romana" e "inglesa" - da qual participaram os diversos componentes eclesiais, espiritualmente unidos à multidão de crentes da longa história cristã dessa terra. É enorme minha alegria por ter encontrado um grande número de jovens que participavam da Santa Missa do exterior da catedral. Com sua presença cheia de entusiasmo e ao mesmo tempo atenta e ansiosa, demonstraram querer ser os protagonistas de uma nova etapa de testemunho valente, de solidariedade com os fatos, de generoso compromisso ao serviço do Evangelho.
Na nunciatura apostólica, encontrei-me com algumas vítimas de abusos por parte de membros do clero e de religiosos. Foi um momento intenso de comoção e oração. Pouco depois, encontrei-me também com um grupo de profissionais e voluntários responsáveis pela proteção das crianças e dos jovens nos ambientes eclesiais, um aspecto particularmente importante e presente no compromisso pastoral da Igreja. Eu os agradeci e incentivei a continuar seu trabalho, que se insere na longa tradição da Igreja de cuidado pelo respeito, educação e formação das novas gerações. Também em Londres, visitei a casa de repouso de idosos, a cargo das Irmãzinhas dos Pobres, com a belíssima contribuição de numerosas enfermeiras e voluntários. Esta estrutura de acolhimento é sinal da grande consideração que a Igreja teve sempre pelo idoso, como também expressão do compromisso dos católicos britânicos no respeito à vida sem levar em consideração a idade ou as condições.
Como comentei, o cume da minha visita ao Reino Unido foi a beatificação do cardeal John Henry Newman, ilustre filho da Inglaterra. Esta foi precedida e preparada por uma vigília especial de oração que aconteceu no sábado à noite em Londres, no Hyde Park, em uma atmosfera de profundo recolhimento. À multidão de fiéis, especialmente os jovens, quis voltar a propor a luminosa figura do cardeal Newman, intelectual e crente, cuja mensagem espiritual pode se resumir no testemunho de que o caminho do conhecimento não é o fechamento no próprio "eu", e sim a abertura, a conversão e a obediência Àquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida. O rito de beatificação aconteceu em Birmingham, durante a solene Celebração Eucarística dominical, com a presença de uma grande multidão procedente de toda Grã-Bretanha e da Irlanda, com representações de muitos outros países. Este impressionante acontecimento destacou ainda mais um erudito de tal grandeza, um insigne escritor e poeta, um sábio homem de Deus, cujo pensamento iluminou muitas consciências e que ainda hoje exerce um fascínio extraordinário. Que nele, em particular, se inspirem os crentes e as comunidades eclesiais do Reino Unido, para que também em nossos dias essa nobre terra continue produzindo frutos abundantes de vida evangélica.
O encontro com a Conferência Episcopal da Inglaterra e Gales e com a da Escócia concluiu um dia de grande festa e de intensa comunhão de corações para a comunidade católica na Grã-Bretanha.
Queridos irmãos e irmãs, nesta minha visita ao Reino Unido, como sempre, quis sustentar em primeiro lugar a comunidade católica, incentivando-a a trabalhar sem cessar para defender as verdades morais imutáveis que, retomadas, iluminadas e confirmadas pelo Evangelho, estão na base de uma sociedade verdadeiramente humana, justa e livre. Quis também falar ao coração de todos os habitantes do Reino Unido, sem excluir ninguém, da verdadeira realidade do homem, das suas necessidades mais profundas, do seu destino último. Ao dirigir-me aos cidadãos desse país, encruzilhada da cultura e da economia mundiais, tive presente todo o Ocidente, dialogando com as razões desta civilização e comunicando a perene novidade do Evangelho, da qual ela está impregnada. Esta viagem apostólica confirmou em mim uma convicção profunda: as antigas nações da Europa têm uma alma cristã, que constitui uma unidade com o "gênio" e a história dos respectivos povos, e a Igreja não deixa de trabalhar para manter continuamente em pé esta tradição espiritual e cultural.
O beato John Henry Newman, cuja figura e escritos conservam ainda uma atualidade extraordinária, merece ser conhecido por todos. Que ele sustente os propósitos e os esforços dos cristãos para "difundir em todos os lugares o perfume de Cristo, para que toda a sua vida seja só uma irradiação da sua", como ele escrevia sabiamente em seu livro "Irradiar Cristo".
[No final da audiência, o Papa cumprimentou os fiéis em diversos idiomas. Estas foram suas palavras em português:]
Queridos irmãos e irmãs,

Na semana passada, Deus concedeu-me a graça de visitar a Inglaterra e lá proclamar beato o cardeal Henry Newman, brilhante figura de intelectual e crente, cuja mensagem espiritual mostra como o caminho da consciência não é fecharmo-nos em nós mesmos, mas abertura, conversão e obediência a Cristo que é Caminho, Verdade e Vida. Nas palavras que dirigi aos cidadãos daquela Nação, tive presente todo o Ocidente, procurando dialogar com as razões desta civilização e comunicar a novidade perene do Evangelho de que ela está ainda impregnada. Esta visita apostólica confirmou em mim uma profunda convicção: as antigas nações da Europa conservam uma alma cristã, que forma um todo com o gênio e a história dos respectivos povos. E se há um secularismo agressivo que ameaça os valores fundamentais, a Igreja não se cansa de trabalhar para manter desperta esta tradição espiritual e cultural. 

Amados peregrinos de língua portuguesa, cordiais saudações para todos vós, de modo especial para os fiéis de Campinas, da paróquia Beato José de Anchieta de Cambuí. Continuai a defender aquelas verdades morais imutáveis que, iluminadas e confirmadas pelo Evangelho, estão na base de uma sociedade verdadeiramente humana, justa e livre. Sobre vós e vossas famílias desça a minha bênção.
[Tradução: Aline Banchieri.

"Desejemos e pratiquemos a oração não a fim de nos satisfazer, mas termos força no serviço de Deus."

(Santa Teresa de Jesus)

2010/09/14

Filme: La merveilleuse vie de Jeanne d'Arc

Filme: Karol, le combat d'un pape (Episode 4).avi

Filme: Karol, le combat d'un pape (Episode 3).avi

Filme: Karol, un homme devenu pape (Episode 2).avi

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Filme: Jésus de Nazareth, de Franco Zeffirelli (1977), 2 sur 4

Filme: Pio XII, a cinquant'anni dalla morte

Filme: Jésus de Nazareth, de Franco Zeffirelli (1977), 4 sur 4

Jésus de Nazareth, de Franco Zeffirelli (1977), 1 sur 4

Filme: Jésus de Nazareth, de Franco Zeffirelli (1977), 3 sur 4

Filme: Lourdes - La storia - Rai 3

Filme: O 13º Dia

Filme: Prisioneiros da Fé

Filme: The List

Filme: A história do nascimento de Jesus

Maria Mãe do Filho de Deus

2010/09/25

NOTA DA CNBB SOBRE AS ELEIÇÕES NO BRASIL

BRASÍLIA, sexta-feira, 17 de setembro de 2010 (ZENIT.org) – Apresentamos a nota difundida pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) nessa quinta-feira, a respeito das Eleições 2010 no país.
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Constantes interpelações têm chegado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB a respeito de seu posicionamento em relação às eleições do próximo dia 3 de outubro.
Falam em nome da CNBB somente a Assembleia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência. O único pronunciamento oficial da CNBB sobre as eleições/2010 é a Declaração sobre o Momento Político Nacional, aprovada pela 48ª Assembleia Geral da CNBB, deste ano, cujo conteúdo permanece como orientação neste momento de expressão do exercício da cidadania em nosso País.
Nessa Declaração, a CNBB, em consonância com sua missão histórica, mantém a tradição de apresentar princípios éticos, morais e cristãos fundamentais para ajudar os eleitores no discernimento do seu voto visando à consolidação da democracia entre nós.
Reafirmamos, portanto, o que diz a Declaração: “A campanha eleitoral é oportunidade para empenho de todos na reflexão sobre o que precisa ser levado adiante com responsabilidade e o que deve ser modificado, em vista de um Projeto Nacional com participação popular.
Por isso, incentivamos a que todos participem e expressem, através do voto ético, esclarecido e consciente, a sua cidadania nas próximas eleições, superando possíveis desencantos com a política, procurando eleger pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana. Em particular, encorajamos os leigos e as leigas da nossa Igreja a que assumam ativamente seu papel de cidadãos colaborando na construção de um País melhor para todos.
Confiando na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, invocamos as bênçãos de Deus para todo o Povo Brasileiro”.
Brasília, 16 de setembro de 2010
Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana – MG
Presidente da CNBB
Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB
Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

HOMILIA NA BEATIFICAÇÃO DE JOHN HENRY NEWM

“O coração fala ao coração”

BIRMINGHAM, domingo, 19 de setembro de 2010 (ZENIT.org) - Apresentamos, a seguir, a homilia que Bento XVI pronunciou hoje, ao presidir, no Wimblendon Park de Birmingham, a Celebração Eucarística de beatificação de John Henry Newman (1801-1890), cardeal e fundador dos oratórios de São Felipe Néri, na Inglaterra.
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Queridos irmãos e irmãs em Cristo:
Estamos aqui em Birmingham em um dia realmente feliz. Em primeiro lugar, porque é o dia do Senhor, o domingo, dia em que o Senhor Jesus Cristo ressuscitou dos mortos e transformou para sempre o curso da história humana, oferecendo vida e esperança a todos os que vivem na escuridão e nas sombras da morte. É a razão pela qual os cristãos do mundo inteiro se reúnem neste dia para louvar e dar graças a Deus pelas maravilhas que Ele fez por nós. Este domingo, em particular, representa também um momento significativo na vida da nação britânica, ao ser o dia escolhido para comemorar o 70º aniversário da Batalha da Inglaterra. Para mim, que estive entre os que viveram e sofreram os escuros dias do regime nazista na Alemanha, é profundamente comovente estar conosco nesta ocasião e poder recordar a tantos concidadãos vossos que sacrificaram suas vidas, resistindo com garra às forças desta ideologia demoníaca. Penso em particular na vizinha Coventry, que sofreu duríssimos bombardeios, com numerosas vítimas, em novembro de 1940. Setenta anos depois, recordamos com vergonha e horror o espantoso preço da morte e destruição que a guerra traz consigo; e renovamos nossa determinação de trabalhar pela paz e pela reconciliação, onde quer que ameace um conflito. Mas existe outra razão, mais alegre, pela qual este dia é especial para a Grã-Bretanha, para o centro da Inglaterra, para Birmingham. Este é o dia em que formalmente o cardeal John Henry Newman foi elevado aos altares e declarado beato.
Agradeço ao arcebispo Bernard Longley por seu cordial acolhimento ao começar a Missa nesta manhã. Agradeço a todos os que trabalharam tão duramente durante tantos anos na promoção da causa do cardeal Newman, incluindo os padres do Oratório de Birmingham e os membros da Família Espiritual Das Werk. E saúdo todos vós, que viestes de diferentes lugares da Grã-Bretanha, Irlanda e outros pontos mais distantes; obrigado pela vossa presença nesta celebração, na qual louvamos e damos glória a Deus pelas virtudes heroicas deste santo inglês.
A Inglaterra tem uma longa tradição de santos mártires, cujo valente testemunho sustentou e inspirou a comunidade católica local durante séculos. É justo e conveniente reconhecer hoje a santidade de um confessor, um filho desta nação que, ainda que não tenha sido chamado a derramar o sangue pelo Senhor, jamais se cansou de dar um testemunho eloquente d'Ele ao longo de uma vida entregue ao ministério sacerdotal, especialmente a pregar, lecionar e escrever. É digno de fazer parte da longa fila de santos e eruditos destas ilhas: São Beda, Santa Hilda, São Aelred, o beato Duns Scot, por nomear apenas alguns. No beato John Newman, esta tradição de delicada erudição, profunda sabedoria humana e amor intenso pelo Senhor deu grandes frutos, como sinal da presença constante do Espírito Santo no coração do povo de Deus, suscitando copiosos dons de santidade.
O lema do cardeal Newman, cor ad cor loquitur, "o coração fala ao coração", oferece-nos a perspectiva da sua compreensão da vida cristã como um chamado à santidade, experimentada como o desejo profundo do coração humano de entrar em comunhão íntima com o coração de Deus. Recorda-nos que a fidelidade à oração vai nos transformando gradualmente em semelhança de Deus. Como escreveu em um dos seus muitos e belos sermões, "o hábito da oração, a prática de buscar Deus e o mundo invisível em cada momento, em cada lugar, em cada emergência... digo-vos que a oração tem o que se pode chamar de efeito natural na alma, espiritualizando-a e elevando-a. Um homem já não é o que era antes; gradualmente (...) se vê imbuído de uma série de ideias novas e se vê impregnado de princípios diferentes" (Sermões Paroquiais e Comuns, IV, 230-231). O Evangelho de hoje afirma que ninguém pode servir a dois senhores (cf. Lc 16, 13), e o Beato John Henry, em seus ensinamentos sobre a oração, esclarece como o fiel cristão toma partido por servir seu único e verdadeiro Mestre, que pede só para si nossa devoção incondicional (cf. Mt 23, 10). Newman nos ajuda a entender em que consiste isso para a nossa vida cotidiana: ele nos diz que nosso divino Mestre confiou uma tarefa específica a cada um de nós, um "serviço concreto", confiado de maneira única a cada pessoa concreta: "Tenho minha missão - escreve -, sou um elo na corrente, um vínculo de união entre pessoas. Ele não me criou para o nada. Farei o bem, farei seu trabalho; serei um anjo de paz, um pregador da verdade no lugar que me é próprio. (...) Se o fizer, eu me manterei em seus mandamentos e O servirei nas minhas tarefas" (Meditação e Devoção, 301-2).
O serviço concreto ao qual o beato John Henry foi chamado incluía a aplicação entusiasta da sua inteligência e sua prolífica caneta a muitas das mais urgentes "questões do dia". Suas intuições sobre a relação entre fé e razão, sobre o lugar vital da religião revelada na sociedade civilizada e sobre a necessidade de uma educação esmerada e ampla foram de grande importância, não somente para a Inglaterra vitoriana. Hoje também continuam inspirando e iluminando muitos no mundo inteiro. Eu gostaria de prestar uma homenagem especial à sua visão da educação, que fez tanto por formar o ethos, que é a força motriz das escolas e faculdades católicas atuais. Firmemente contrário a qualquer enfoque reducionista ou utilitarista, buscou condições educativas nas quais pudesse se unificar o esforço intelectual, a disciplina moral e o compromisso religioso. O projeto de fundar uma universidade católica na Irlanda lhe ofereceu a oportunidade de desenvolver suas ideias a respeito disso; e a coleção de discursos que publicou, com o título "A ideia de uma universidade" sustenta um ideal mediante o qual todos os que estão envolvidos na formação acadêmica podem continuar aprendendo. Mais ainda, que melhor meta podem ter os professores de religião que o famoso convite do beato John Henry sobre leigos inteligentes e bem formados? "Quero um laicado que não seja arrogante nem imprudente na hora de falar, nem alvorotado, mas homens que conheçam bem sua religião, que aprofundem nela, que saibam bem onde estão, que saibam o que têm e o que não têm; que conheçam seu credo a tal ponto, que possam prestar contas dele; que conheçam tão bem a história, que possam defendê-la" (A Posição Atual dos Católicos na Inglaterra, IX, 390). Hoje, quando o autor destas palavras foi elevado aos altares, peço que, por meio da sua intercessão e exemplo, todos os que trabalham no campo da educação e da catequese se inspirem com maior ardor na visão tão clara que ele nos deixou.
Ainda que a extensa produção literária sobre sua vida e obras prestou compreensivelmente maior atenção ao legado intelectual de John Henry Newman, nesta ocasião prefiro concluir com uma breve reflexão sobre sua vida sacerdotal, como pastor de almas. Sua visão do ministério pastoral sob o prisma do afeto e da humanidade está expresso de maneira maravilhosa em outro dos seus famosos sermões: "Se vossos sacerdotes fossem anjos, meus irmãos, eles não poderiam compartilhar convosco a dor, sintonizar convosco, não poderiam ter compaixão de vós, sentir ternura por vós e ser indulgentes convosco, como nós podemos; eles não poderiam ser nem modelos nem guias, e não teriam te levado do teu homem velho à vida nova, como eles, que vêm do nosso meio" (Homens, não anjos: os sacerdotes do Evangelho: discursos às congregações mistas, 3). Ele viveu profundamente esta visão tão humana do ministério sacerdotal, em seus desvelos pastorais pelo povo de Birmingham, durante os anos dedicados ao Oratório que ele mesmo fundou, visitando os doentes e os pobres, consolando os tristes ou atendendo os presos. Não é de surpreender que, ao morrer, milhares de pessoas se aglomeravam nas ruas enquanto seu corpo era transladado ao lugar da sua sepultura, a não mais que meia milha daqui; 120 anos depois, uma grande multidão se reuniu novamente para celebrar o reconhecimento eclesial solene da excepcional santidade deste pai de almas tão amado. Que melhor maneira de expressar nossa alegria deste momento que dirigindo-nos ao nosso Pai do céu com gratidão sincera, rezando com as mesmas palavras que o beato John Henry Newman colocou nos lábios do coro celestial dos anjos?
Praise to the Holiest in the height
And in the depth be praise;
In all his words most wonderful,
Most sure in all his ways!
("Seja louvado o Santíssimo no céu,
seja louvado no abismo;
em todas as suas palavras, o mais maravilhoso,
o mais seguro em todos os seus caminhos")

("O sonho de Gerontius")
[Tradução: Aline Banchieri.
© Libreria Editrice Vaticana]

CATEQUESE DO PAPA: “FALEI AO CORAÇÃO DE TODOS OS INGLESES”

Intervenção na audiência geral de hoje

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 22 de setembro de 2010 (ZENIT.org) - Apresentamos, a seguir, a intervenção do Papa Bento XVI durante a audiência geral, realizada na Praça de São Pedro, com os milhares de peregrinos procedentes do mundo inteiro.
* * *
Queridos irmãos e irmãs:
Hoje, eu gostaria de falar da viagem apostólica ao Reino Unido, que Deus me concedeu realizar na semana passada. Foi uma visita oficial e, ao mesmo tempo, uma peregrinação ao coração da história e do hoje de um povo rico de cultura e de fé, como o caso do britânico. Foi um acontecimento histórico, que marcou uma nova fase importante na longa e complexa história das relações entre essas populações e a Santa Sé. O principal objetivo da visita era proclamar beato o cardeal John Henry Newman, um dos maiores ingleses da sua época, insigne teólogo e homem de Igreja. De fato, a cerimônia de beatificação representou o principal momento da viagem apostólica, cujo tema estava inspirado no lema do cardeal Newman: "O coração fala ao coração". E nos quatro intensos e belíssimos dias transcorridos nesta nobre terra, tive a grande alegria de falar ao coração dos habitantes do Reino Unido, e eles falaram ao meu, especialmente com sua presença e com o testemunho da sua fé. Pude, de fato, constatar como a herança cristã ainda é forte e inclusive ativa em todos os estratos da vida social. O coração dos britânicos e sua existência estão abertos à realidade de Deus e há numerosas expressões de religiosidade que esta minha visita evidenciou ainda mais.
Desde o primeiro dia da minha permanência no Reino Unido - e durante todo o período da minha estadia -, recebi em todos os lugares um caloroso acolhimento por parte das autoridades, dos representantes das diversas realidades sociais, dos representantes das diferentes confissões religiosas e especialmente das pessoas comuns. Penso particularmente nos fiéis da comunidade católica e em seus pastores que, ainda sendo minoria no país, são muito estimados e considerados, comprometidos no anúncio alegre de Jesus Cristo, fazendo o Senhor resplandecer e tornando-se sua voz, especialmente entre os últimos. A todos renovo a expressão da minha profunda gratidão, pelo entusiasmo demonstrado e pela excelente diligência com que trabalharam pelo êxito desta visita minha, cuja lembrança conservarei para sempre no coração.
O primeiro encontro foi em Edimburgo, com Sua Majestade a rainha Elizabeth II, que, juntamente com seu consorte, o Duque de Edimburgo, acolheu-me com grande afeto em nome de todo o povo britânico. Foi um encontro muito cordial, caracterizado pela partilha de algumas profundas preocupações referentes ao bem-estar dos povos do mundo e pelo papel dos valores cristãos na sociedade. Na histórica capital da Escócia, pude admirar as belezas artísticas, testemunho de uma rica tradição e de profundas raízes cristãs. Fiz referência a isso no discurso a Sua Majestade e às autoridades presentes, recordando que a mensagem cristã se converteu em parte integrante da língua, do pensamento e da cultura dos povos destas ilhas. Falei também do papel que a Grã-Bretanha teve e continua tendo no panorama internacional, mencionando a importância dos passos levados a cabo para uma pacificação justa e duradoura na Irlanda do Norte.
A atmosfera de festa e de alegria criada pelos jovens e crianças alegrou a etapa de Edimburgo. Ao chegar depois a Glasgow, cidade embelezada por encantadores parques, presidi a primeira Santa Missa da viagem, precisamente no Bellahouston Park. Foi um momento de intensa espiritualidade, muito importante para os católicos do país, também considerando o fato de que naquele dia se celebrava a festa litúrgica de São Ninian, primeiro evangelizador da Escócia. Nessa assembleia litúrgica reunida em oração atenta e compartilhada, que ficou ainda mais solene pelas melodias tradicionais e cantos, recordei a importância da evangelização da cultura, especialmente em nossa época, na qual um relativismo penetrante ameaça escurecer a imutável verdade sobre a natureza do homem.
No segundo dia, comecei a visita a Londres. Lá encontrei, em primeiro lugar, o mundo da educação católica, que tem um papel relevante no sistema de instrução desse país. Em um autêntico clima de família, falei aos educadores, recordando a importância da fé na formação de cidadãos maduros e responsáveis. Aos numerosos adolescentes e jovens, que me acolheram com alegria e entusiasmo, propus que não buscassem objetivos limitados, contentando-se com escolhas cômodas, mas que procurassem algo maior, isto é, a busca da verdadeira felicidade que se encontra somente em Deus. No seguinte encontro, com os responsáveis das demais religiões majoritariamente presentes no Reino Unido, recordei a ineludível necessidade de um diálogo sincero, que precisa do respeito ao princípio de reciprocidade para que seja plenamente frutífero. Ao mesmo tempo, evidenciei a busca do sagrado como campo comum a todas as religiões, sobre o qual é preciso reforçar a amizade, a confiança e a colaboração.
A visita fraterna ao arcebispo da Cantuária foi a oportunidade para reafirmar o compromisso comum de dar testemunho da mensagem cristã que une católicos e anglicanos. Foi seguido por um dos momentos mais significativos da viagem apostólica: o encontro, na grande sala do Parlamento britânico, com personalidades institucionais, políticas, diplomáticas, acadêmicas, religiosas, representantes do mundo cultural e empresarial. Nesse lugar tão prestigioso, sublinhei que a religião, para os legisladores, não deve representar um problema a ser resolvido, mas um fator que contribui de forma vital para o caminho histórico e para o debate público da nação, em particular ao recordar a importância essencial do fundamento ético para as decisões nos diversos setores da vida social.
Nesse mesmo clima solene, dirigi-me depois à abadia de Westminster: pela primeira vez, um sucessor de Pedro estava no lugar de culto símbolo das antiquíssimas raízes cristãs do país. A recitação da oração das Vésperas, junto às diversas comunidades cristãs do Reino Unido, representou um momento importante nas relações entre a comunidade católica e a Comunhão Anglicana. Quando veneramos juntos o túmulo de São Eduardo o Confessor, enquanto o coral cantava Congregavit nos in unum Christi amor, todos nós louvamos Deus, que nos conduz no caminho rumo à unidade plena.
Na manhã do sábado, o encontro com o primeiro-ministro abriu a série de encontros com os maiores representantes do mundo político britânico. Foi seguida da Celebração Eucarística na catedral de Westminster, dedicada ao Preciosíssimo Sangue do Nosso Senhor. Foi um extraordinário momento de fé e de oração - que evidenciou a rica e belíssima tradição de música litúrgica "romana" e "inglesa" - da qual participaram os diversos componentes eclesiais, espiritualmente unidos à multidão de crentes da longa história cristã dessa terra. É enorme minha alegria por ter encontrado um grande número de jovens que participavam da Santa Missa do exterior da catedral. Com sua presença cheia de entusiasmo e ao mesmo tempo atenta e ansiosa, demonstraram querer ser os protagonistas de uma nova etapa de testemunho valente, de solidariedade com os fatos, de generoso compromisso ao serviço do Evangelho.
Na nunciatura apostólica, encontrei-me com algumas vítimas de abusos por parte de membros do clero e de religiosos. Foi um momento intenso de comoção e oração. Pouco depois, encontrei-me também com um grupo de profissionais e voluntários responsáveis pela proteção das crianças e dos jovens nos ambientes eclesiais, um aspecto particularmente importante e presente no compromisso pastoral da Igreja. Eu os agradeci e incentivei a continuar seu trabalho, que se insere na longa tradição da Igreja de cuidado pelo respeito, educação e formação das novas gerações. Também em Londres, visitei a casa de repouso de idosos, a cargo das Irmãzinhas dos Pobres, com a belíssima contribuição de numerosas enfermeiras e voluntários. Esta estrutura de acolhimento é sinal da grande consideração que a Igreja teve sempre pelo idoso, como também expressão do compromisso dos católicos britânicos no respeito à vida sem levar em consideração a idade ou as condições.
Como comentei, o cume da minha visita ao Reino Unido foi a beatificação do cardeal John Henry Newman, ilustre filho da Inglaterra. Esta foi precedida e preparada por uma vigília especial de oração que aconteceu no sábado à noite em Londres, no Hyde Park, em uma atmosfera de profundo recolhimento. À multidão de fiéis, especialmente os jovens, quis voltar a propor a luminosa figura do cardeal Newman, intelectual e crente, cuja mensagem espiritual pode se resumir no testemunho de que o caminho do conhecimento não é o fechamento no próprio "eu", e sim a abertura, a conversão e a obediência Àquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida. O rito de beatificação aconteceu em Birmingham, durante a solene Celebração Eucarística dominical, com a presença de uma grande multidão procedente de toda Grã-Bretanha e da Irlanda, com representações de muitos outros países. Este impressionante acontecimento destacou ainda mais um erudito de tal grandeza, um insigne escritor e poeta, um sábio homem de Deus, cujo pensamento iluminou muitas consciências e que ainda hoje exerce um fascínio extraordinário. Que nele, em particular, se inspirem os crentes e as comunidades eclesiais do Reino Unido, para que também em nossos dias essa nobre terra continue produzindo frutos abundantes de vida evangélica.
O encontro com a Conferência Episcopal da Inglaterra e Gales e com a da Escócia concluiu um dia de grande festa e de intensa comunhão de corações para a comunidade católica na Grã-Bretanha.
Queridos irmãos e irmãs, nesta minha visita ao Reino Unido, como sempre, quis sustentar em primeiro lugar a comunidade católica, incentivando-a a trabalhar sem cessar para defender as verdades morais imutáveis que, retomadas, iluminadas e confirmadas pelo Evangelho, estão na base de uma sociedade verdadeiramente humana, justa e livre. Quis também falar ao coração de todos os habitantes do Reino Unido, sem excluir ninguém, da verdadeira realidade do homem, das suas necessidades mais profundas, do seu destino último. Ao dirigir-me aos cidadãos desse país, encruzilhada da cultura e da economia mundiais, tive presente todo o Ocidente, dialogando com as razões desta civilização e comunicando a perene novidade do Evangelho, da qual ela está impregnada. Esta viagem apostólica confirmou em mim uma convicção profunda: as antigas nações da Europa têm uma alma cristã, que constitui uma unidade com o "gênio" e a história dos respectivos povos, e a Igreja não deixa de trabalhar para manter continuamente em pé esta tradição espiritual e cultural.
O beato John Henry Newman, cuja figura e escritos conservam ainda uma atualidade extraordinária, merece ser conhecido por todos. Que ele sustente os propósitos e os esforços dos cristãos para "difundir em todos os lugares o perfume de Cristo, para que toda a sua vida seja só uma irradiação da sua", como ele escrevia sabiamente em seu livro "Irradiar Cristo".
[No final da audiência, o Papa cumprimentou os fiéis em diversos idiomas. Estas foram suas palavras em português:]
Queridos irmãos e irmãs,

Na semana passada, Deus concedeu-me a graça de visitar a Inglaterra e lá proclamar beato o cardeal Henry Newman, brilhante figura de intelectual e crente, cuja mensagem espiritual mostra como o caminho da consciência não é fecharmo-nos em nós mesmos, mas abertura, conversão e obediência a Cristo que é Caminho, Verdade e Vida. Nas palavras que dirigi aos cidadãos daquela Nação, tive presente todo o Ocidente, procurando dialogar com as razões desta civilização e comunicar a novidade perene do Evangelho de que ela está ainda impregnada. Esta visita apostólica confirmou em mim uma profunda convicção: as antigas nações da Europa conservam uma alma cristã, que forma um todo com o gênio e a história dos respectivos povos. E se há um secularismo agressivo que ameaça os valores fundamentais, a Igreja não se cansa de trabalhar para manter desperta esta tradição espiritual e cultural. 

Amados peregrinos de língua portuguesa, cordiais saudações para todos vós, de modo especial para os fiéis de Campinas, da paróquia Beato José de Anchieta de Cambuí. Continuai a defender aquelas verdades morais imutáveis que, iluminadas e confirmadas pelo Evangelho, estão na base de uma sociedade verdadeiramente humana, justa e livre. Sobre vós e vossas famílias desça a minha bênção.
[Tradução: Aline Banchieri.

"Desejemos e pratiquemos a oração não a fim de nos satisfazer, mas termos força no serviço de Deus."

(Santa Teresa de Jesus)

2010/09/14

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